Crônicas

O primeiro relacionamento que precisamos ter

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Fernanda sempre seguia “a linha” qualquer tipo de opinião, se uns falavam que chocolate era o principal alimento que trazia a diabete, Fernanda parava de comer. Se outras diziam que Fernanda tem cara de quem gosta de música cowntry, ela começava a ouvir só pra saber se gostava mesmo e acabava gostando, porque Fernanda tinha muitos jeitos, e todo o jeito era bom pra ela. Sua mãe dizia que ela gostava mais de saia do que de calça e Fernanda só usava isso perto dela. Sua tia já falava que ela tinha cara de patricinha, mas mal sabia ela que Fernanda também gostava de skate.

Fernanda era duas pessoas, mas não sabia qual pessoa ela tinha que ser.

Ela sempre decidia por uma só, ou optava por satisfazer quem mais ama ou se perdia nas suas vontades, porque ela nunca teve voz ativa quando o assunto era decidir. Fernanda sempre foi de opinião, mas não tinha opinião própria. Ela seguia as regras que eram impostas nela desde pequena, porque sabia que isso era o melhor. Discutir nunca ia adiantar nada. Ela nunca brigou com a mãe, com o pai ou com o irmão. Isso porque a mãe sempre tinha razão, o pai era muito bravo para ser questionado e o irmão um chato que ela não queria confusão.

Fernanda invejava as pessoas de opinião formada. Ela invejava quem retrucava, quem cuspia verdades e quem não tinha papas na língua.

Sua família não entendia por que ela nunca parava com um namorado e ninguém sabia por que ela mesma não aguentava ficar muitos meses com um. Eles nunca ouviam Fernanda reclamar, só sabiam que eu ela tinha terminado, só isso. Todo mundo achava que era porque Fernanda era perfeita demais para alguém, na visão deles ela conseguia tudo e tinha muita opinião, mas a opinião na verdade era só de quem ditava.

É ai que está. Como Fernanda iria ter um amor, se nem ela mesmo sabe o que quer da vida?

Como ela vai conseguir responder se gosta mesmo de séries policiais? Como ela vai preferir a música Baiana se ela gosta mesmo é da Morena? Se ela continua deixando a mãe decidir sua faculdade (porque é o melhor pra ela), se deixa a tia comprar suas roupas (porque ela é quem sabe seus gostos desde nova). Se seu namorado perguntar se ela prefere samba ou rock, como ela vai concordar consigo mesma na hora de responder?

E bem sabe Fernanda que um namoro é feito de verdades. Como ela vai conseguir progredir no seu romance se nem ela mesmo sabe da própria verdade? Fernanda não sabe (de verdade) dos seus gostos, das suas manias, dos seus desejos, dos seus sonhos, da sua idealização, do seu futuro, do que ama, ela não sabe dizer a verdade de si mesma, porque ela mesmo deixou a verdade ser dita para si. Às vezes, quando uma verdade está imposta em nós, temos que decidir se deixamos ela exposta ou se procuramos novas verdades.

Fernanda podia muito bem gostar de samba e rock, podia ter dito para mãe que prefere fazer Jornalismo do que cursar Direito, podia ter falado que prefere mais calça do que saia, que prefere o confortável chinelo do que o temível salto alto.

A vida passa rápido, Fernanda. Você precisa saber quem realmente está ai dentro, para começar a ditar seu futuro. Quando você passar a descobrir seus gostos, você vai ver porque aquele cara realmente gosta de ti, sabe por que Fernanda? Porque aí você vai descobrir que seus defeitos serão apenas peculiaridades. A partir do momento que você ver quem realmente é e o que realmente quer, a vida vai começar a fazer ainda mais sentido do que já fazia. Você vai entender porque aquele cara não desistiu de você e vai ter o conhecimento de si mesma. Você vai enfrentar de frente o amor e ele vai andar junto com sua determinação.

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  • Débora Delgado 15 de outubro de 2015

    Muito bom o texto!
    Amei demais!
    Vou colocar o link nos posts legais que vi na semana no meu blog! O mundo precisa ler isso! hahaha
    Beijo

  • Larissa Kelrea 16 de outubro de 2015

    Uau! Que texto maravilhoso e verdadeiro!!
    Kezia sempre nos impressionando. Gostei muito <3

  • Manuela 16 de outubro de 2015

    Texto perfeito, infelizmente me vi em muitos trechos.

  • Fernanda 29 de outubro de 2015

    Obrigada.

  • Dani V. 09 de novembro de 2015

    Acompanho esse blog há uns meses e acho super interessante. Parabéns mesmo =D
    Sempre que tenho a oportunidade, faço alguma lembrancinha para menina que eu amo…
    Atualmente, eu me encontro no grupo dos “ex’s” de minha amada mulher, porém,eu tenho certeza que isso é um período transitório é que em algum momento da vida tudo voltará ao “normal”.
    De qualquer forma,certo ou errado, eu sou aquele cara que jamais desistirá dela. Que não a vê como perfeita mas sim, como dito no texto, com suas peculiaridades que complementam meu dia.

    Texto muito bem bolado, parabéns mais uma vez.
    Obrigado.