em Crônicas

O melhor filme de todos

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Eu poderia muito bem me apaixonar por você. Por essa cara de cansado que me faz imaginar por quanto tempo ficou acordado e por que não conseguiu dormir. Parece exagero falar que eu queria te beijar no momento que te vi? Não. Eu não sou pra frente. Posso ser exagerada, admito, mas não me entrego pra qualquer sorriso. É só que eu consegui enxergar sua preocupação e gente preocupada (conosco, não com as coisas) está em falta hoje em dia.

Não é qualquer um que se preocupa com um mero encontro, que imagina que aquilo seria mais que uma despedida e faz aquilo ser mais do que um adeus. Nunca foi um adeus. Não é? Você nunca me deixou ir de verdade. Só disse que queria se despedir pra poder ficar mais perto, pra poder sentir se aquilo que estava acontecendo era real. Pra me fazer ver, com todo aquele seu afeto e atenção que não era um simples talvez.

Você me queria de volta antes mesmo de eu ir.

E eu fui indo, sem perceber que na verdade, ficaria para ser sua.

Eu seria uma tola se não admitisse que todo aquele seu esforço não tinha adiantado. Que aquela ida ao cinema, mesmo não querendo ver o filme que escolhi e me fazendo rir a cada instante, não valesse de nada. Valeu. Valeu muito a pena ver que você se importava com minha felicidade, que cada sorriso que eu entregava era um sorriso a mais no seu rosto. Que cada risada que eu despejava sem querer era um brilho a mais nesses olhos tão escuros.  Eu notei. Mesmo você achando que eu não podia notar algo tão simples no meio de tanto prazer.

Eu notei que estava fazendo aquilo só pra me deixar confortável porque eu batia os pés apressadamente na cadeira do cinema. Eu notava quando me olhava com atenção, quando desejava algo que não podia ter porque sabia que eu não entregaria naquele momento. Ah, se você soubesse que aquele era o momento perfeito. Que aquela atenção fingida que eu dava ao filme não era nada comparado a toda atenção discreta que eu te entregava.

Eu queria gritar para você me beijar, eu não sou de dar o primeiro passo e eu tinha a impressão que você sabia disso. Então porque não me beijava? Era só virar a cabeça. Eu estava perto o suficiente para você fazer isso. Perto o suficiente para ser sua e longe o bastante pra ser de qualquer outra pessoa.

Nunca achei que uma ida ao cinema fosse tão emocionante.

A gente acha que vai se apaixonar pelo filme, mas acaba descobrindo o amor.

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1 comentário

  1. MAnuela em

    Sem palavras, lindo!
    Meu primeiro encontro com ele foi no cinema, e ontem comemoramos 4 anos e 10 meses.
    Faço minha as suas palavras: ” Nunca achei que uma ida ao cinema fosse tão emocionante.
    A gente acha que vai se apaixonar pelo filme, mas acaba descobrindo o amor.”

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